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Cultura como identidade: conheça o Programa RedeMoinhos

O que é Cultura? Modos de viver e de estar em sociedade? A produção de representações por meio de expressões artísticas? Um conceito estático ou que tem certa flexibilidade? Em setembro, o Projeção Virtual tentará responder esta pergunta. Conversaremos com os responsáveis por diversos projetos e programas de extensão na UFV para conhecermos suas concepções sobre cultura e traçarmos um diagnóstico do que a extensão na Universidade Federal de Viçosa tem produzido em relação a este termo. No primeiro texto da série (disponível clicando aqui), você pode conhecer o projeto Sarauzinho Literário. Neste texto, o programa RedeMoinhos.

Uma das formas de enxergar a cultura é como a identidade de um povo: são os ritos, os mitos, as práticas, os valores e os hábitos que constroem o modo de uma comunidade se organizar e viver. Nosso país carrega grande pluralidade e diversidade de identidades culturais. Contudo, enquanto alguns grupos são majoritariamente representados em esferas de poder, outros são correntemente oprimidos, excluídos e violentados. O problema é que, por vezes, há uma hierarquização de culturas, onde determinadas produções e práticas são invisibilizadas por estarem vinculadas a grupos minoritários, enquanto outras são valorizadas por estarem associadas a grupos de poder.

O “Programa RedeMoinhos: Circulação de saberes e fazeres para a promoção da igualdade racial” tem o objetivo de sensibilizar para esta realidade desigual e buscar a valorização da cultura afro-brasileira. O programa surgiu em 2015 e veio da demanda de comunidades quilombolas da região da Zona da Mata e movimentos sociais negros da região de Viçosa que precisavam de recursos e de pessoas para realizarem suas atividades, desenvolverem discussões sobre a questão étnico-racial e receberem suas certificações. Hoje, é um programa de extensão com práticas e espaços de educação formais ou não, que debatem, discutem e promovem questões sobre o lugar da pessoa negra e a questão afro-brasileira na Universidade e fora dela, coordenado pela professora Jaqueline Zeferino (Departamento de Educação/UFV).

Os membros do RedeMoinhos desenvolvem projetos em suas próprias comunidades de origem e utilizam o espaço do programa, em reuniões semanais, para informarem sobre o andamento das atividades, mobilizar mais pessoas e dividir experiências. Existe ainda espaço para pesquisa e estudo de teorias. Cada um atua em seus territórios (existem projetos, por exemplo, sobre a valorização do cabelo e da beleza negra, a capoeira e a presença e a permanência do estudante negro na Universidade), mas com o objetivo único de promover a igualdade racial e o reconhecimento da cultura afro-brasileira.

As atividades são diversas. Por exemplo, o NEAB, o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros, faz parte do RedeMoinhos e promove minicursos, oficinas relacionadas ao ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas, e eventos, como a Semana da Consciência Negra. Matheus Freitas, estudante de Ciências Sociais, atua no programa desde 2015. Ele conta que este evento acontece todos os anos em novembro, questiona a situação da população negra no Ensino Superior e traz rodas de memória sobre a luta do movimento negro e também atividades culturais: “É um momento importante para valorizarmos o que é nosso, como mães de santo, o congado, a capoeira. No ano passado, por exemplo, todo o prédio do Departamento de Dança foi ocupado por atividades artísticas e culturais de estudantes e pessoas não vinculadas à Universidade numa Mostra de Arte Preta”.

Outra ação do programa RedeMoinhos foi a articulação e organização do I Encontro de Povos Quilombolas da Zona da Mata, que aconteceu em agosto de 2016, na cidade de Piranga/MG. Dez comunidades quilombolas da região participaram do evento, cujo objetivo foi propiciar um espaço de discussão e troca de experiências sobre a cultura e a história afro-brasileira. Matheus conta que “foram diversas as organizações envolvidas e o RedeMoinhos atuou como uma mola propulsora. A nossa missão foi organizar o evento para que ele acontecesse e os espaços funcionassem da melhor maneira possível”.

No evento, foi evidenciada uma dimensão da cultura que precisa ser mais bem compreendida: “Por vezes, a cultura afro-brasileira é muito estereotipada, o que provoca preconceitos, mas precisamos entender uma dimensão de pluralidade. São várias culturas e dentro da cultura afro-brasileira também existem várias culturas. De um lado, é preciso haver respeito, no sentido de valorizar as pessoas, seus saberes, suas memórias. Do outro, é preciso haver afirmação, mostrar nossa cultura de modo positivo”, descreve o estudante.

Uma das maneiras de demonstrar isso aconteceu no projeto Curupira, dentro do Centro de Tecnologias Alternativas (CTA), durante o desenvolvimento de uma cartilha e de oficinais de educação ambiental sob uma perspectiva étnico-racial. Matheus conta que o grupo “pôde falar sobre Oxum, representando a cachoeira, Obá no encontro das águas doce e salgada, Yemanjá no mar. Falamos dos povos indígenas, das comunidades ribeirinhas, da história da Iara, do Boto… Trouxemos um aspecto cultural do meio-ambiente que as pessoas não precisam acreditar, mas precisam reconhecer a existência. Pensar a cultura é pensar em culturas diferentes numa convivência respeitosa, de igual para igual”.

Encontro de Povos Quilombolas da Zona da Mata promoveu discussões sobre a cultura afro-brasileira.

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